O estudo, realizado pela Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto com parceria técnica da Pipe.Social, analisa as características comuns que definem empreendimentos como negócios de impacto. Foram 5 meses de trabalho e mais de 280 organizações do setor consultadas para definir critérios e compromissos que irão orientar empreendedores por sua jornada de negócio e reconhecimento junto ao ecossistema brasileiro de impacto socioambiental.

Empreender pode gerar benefícios que vão além do aspecto financeiro. Uma percepção que cresce entre os brasileiros é de que é possível abrir um negócio com propósito socioambiental, ou seja, melhorar a vida das pessoas e do planeta e, ainda, gerar lucro com isso. São mais de mil negócios mapeados em 2019 no 2ª Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental com essa proposta.  

O objeto de estudo foram esses empreendimentos que operam em áreas de educação, saúde, serviços financeiros, cidadania, cidades e tecnologias verdes, que tenham o objetivo claro de solucionar um problema socioambiental real por meio da sua atividade principal, seja ela um produto, serviço e/ou sua forma de operação. Essas organizações fazem isso por meio da lógica de mercado, com um modelo de negócio que busca retorno financeiro e se comprometem a medir o impacto que geram.

Mas como definir se um negócio é, de fato, um negócio de impacto socioambiental? Com a chegada de novos e diversos atores, entre empreendedores, gestores públicos, investidores, aceleradores, pesquisadores, além da aproximação de outros ecossistemas afins, como a economia criativa, o empreendedorismo nas periferias, a economia circular e as empresas B, uma economia orientada por impacto positivo tem ganhado força e, neste guarda chuva, compreender o que são os negócios de impacto socioambiental pode ser confuso.

Por isso, a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto em parceria com a Pipe.Social conduziram por cinco meses um trabalho cuidadoso de escuta dos mais diversos atores envolvidos e outros interessados na agenda de impacto socioambiental positivo. 

O resultado é a publicação do estudo “O que são negócios de impacto – características comuns que definem empreendimentos como negócios de impacto”, que identificou percepções e validou entendimentos e conceitos neste momento do ecossistema no Brasil.

“Sabemos que a discussão sobre qual é o papel dos negócios em relação a questões sociais ou ambientais é crescente. Por isso também é importante apresentar com clareza as características que diferenciam os negócios de impacto dos demais. Com esse estudo a Aliança pelo Impacto não tem a intenção de atestar se um empreendimento é de impacto ou não, porque sempre haverá alguma subjetividade, mas mostrar de uma forma lógica que algumas características são necessárias para que um empreendimento seja sustentável enquanto modelo de negócio e efetivo na geração de impacto positivo”, reforça Celia Cruz, diretora do ICE (Instituto de Cidadania Empresarial) e da Aliança.

Foram realizadas mais de 280 escutas, entre especialistas e organizações que atuam no setor em todo o Brasil, para mapear quais os filtros comuns usados para classificar um negócio de impacto. 

Para Livia Hollerbach, cofundadora da Pipe.Social, não há uma ou outra característica que por si só define se o empreendimento é um negócio de impacto ou não. Mas um conjunto de atributos que se mostraram suficientes, ainda que haja uma ampla diversidade dentre os negócios de impacto que atendem a essas características.

“Recebemos o convite da Aliança para colaborar neste estudo com muita satisfação. No nosso dia a dia os empreendedores estão a todo momento nos questionando se são de fato um negócio de impacto socioambiental, como que buscando um “selo” que lhes certifique no ecossistema. Nossa decisão foi partir para uma escuta de 280 organizações que hoje formam e fomentam este setor no país, para analisar quais os critérios comuns na conceituação deste tipo de negócio e compromissos que um empreendedor de impacto socioambiental tem de assumir na sua jornada. Esperamos que este material seja um guia para orientar os que desejam se juntar à este movimento global do empreendedorismo socioambiental.” 

Conheça quais são esses critérios e como ser reconhecido como um negócio de impacto socioambiental

Para ser considerado um negócio de impacto socioambiental, o empreendimento deve atender, simultaneamente, a um conjunto com quatro critérios que formam o requisito mínimo de um negócio de impacto. São eles:

  1. Intencionalidade de resolução de um problema social e/ou ambiental

Empreendedores devem deixar claro em sua comunicação institucional interna e externa sua intenção de impacto e de resolver (ao menos em parte) um problema social e/ou ambiental, por meio do negócio. 

  1. Solução de impacto é a atividade principal do negócio

A existência do negócio se justifica pela solução de um problema socioambiental real que é a atividade principal do empreendimento. Não se trata de uma ação pontual de responsabilidade social e/ou ambiental. Aqui, o negócio vive/opera diariamente para resolver um problema socioambiental, ou seja, a atividade central da operação, produto ou serviço. 

  1. Busca de retorno financeiro, operando pela lógica de mercado

Apesar de ter o lucro em segundo plano, um negócio de impacto social deve ter sustentabilidade financeira, gerando receita própria por meio da venda de produtos e/ou serviços, independentemente do seu formato jurídico. Não há problema em contar com ajudas externas e subsídios em diferentes etapas de sua jornada como ajudas pontuais, o importante é que a receita seja recorrente.

  1. Compromisso com monitoramento do impacto gerado

Também é preciso ter clareza da transformação que o negócio gera ou pretende gerar e o compromisso com indicadores que ajudem a monitorar e medir o impacto do negócio para sociedade. 
O Estudo também identificou quatro compromissos desejáveis que negócios de impacto podem apresentar em seu ciclo de amadurecimento. Para 90% dos respondentes da consulta, há diferentes graus de compromissos que o negócio deveria assumir à medida que amadurece como negócio e avança na jornada empreendedora. Desta forma, o empreendedor à frente de um negócio de impacto também deve se comprometer com o entendimento do problema e solução,  efetividade do modelo de negócio, do impacto gerado e da governança.
Sobre o estudo O que são negócios de impacto – características comuns que definem empreendimentos como negócios de impacto

A abordagem busca dar referências e estimular o surgimento de novos negócios de impacto. Além de fortalecer modelos de negócios, facilitar a discussão para regulamentação deste setor e acesso à captação de financiamento e investimento e a criação de políticas públicas de incentivo.

Com uma maior compreensão do setor é possível ainda contribuir com direcionamentos para grandes empresas interessadas em apoiar, fomentar e contratar soluções de negócios de impacto e evitar o mau uso (greenwash) ou a apropriação do termo por questões de publicidade e marketing ou a banalização do conceito. 

 O estudo O que são negócios de impacto – características comuns que definem empreendimentos como negócios de impacto já está disponível e pode ser acessado na íntegra.

Faça o download aqui: http://bit.ly/OquesaoNIs